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In my little corner: Jards Nobre

 Oi, bookaholics! O post de hoje será da coluna In my little corner, para quem não conhece essa é a coluna de entrevistas aqui do blog e sempre que dá eu estou trazendo alguma entrevista nova, dessa vez o convidado é o autor Jards Nobre, parceiro aqui do Srta. Bookaholic.

Jards Nobre
Jards Nobre nasceu no distrito de Cipó dos Anjos, Quixadá (CE) e é autor de "Curral de pedras" (2009) e "Pássaros sem canção" (2013), romances neorregionalistas e neonaturalistas. Mestre em Linguística na Universidade Federal do Ceará, é professor de língua portuguesa em escola pública. Seus temas preferidos são as relações humanas e os conflitos psicológicos decorrentes das imposições sociais. 
Resenhas: 


1- Como e quando foi que você decidiu que queria ser escritor?
Penso que “decidir ser escritor” não é bem a expressão. Nasce o desejo de escrever por puro prazer ou para repassar conhecimentos, quem sabe até ganhar dinheiro com isso, e a gente alimenta esse desejo, até que chega o tempo em que decidimos publicar um livro, o que não necessariamente faz da gente um escritor. Acho que “ser escritor” é diferente de “ser autor”. Ser escritor é escrever literatura, é escrever por “hobbie”, por prazer e, sendo assim, não se decide ser escritor. De repente a gente percebe que se tornou um. 

2- Infelizmente os autores nacionais sentem uma grande dificuldade em publicar um livro, como foi para você publicar os seus livros?
Muito difícil,  pois, além da falta de opções de editoras no Ceará, tive de arcar com todas as despesas. As editoras através das quais lancei meus livros não prestavam serviço algum de divulgação. Elas simplesmente providenciavam a impressão dos livros, ficando a divulgação e as vendas por minha conta. O mais difícil não é,  portanto,  publicar, mas sim divulgar a obra, torná-la conhecida. Se você não tiver dinheiro ou contatos influentes que possam ajudá-lo nessa tarefa, seu livro, por melhor que seja, ficará restrito a pequenos grupos de leitores.

3- Quais são seus autores favoritos? Se inspirou em algum para escrever Curral de Pedras e/ou Passáros sem canção?
Eu aprecio muito os escritores do Naturalismo do século XIX, como Aluísio Azevedo e Adolfo Caminha, mas também gosto de muitos escritores contemporâneos, como Lygia Fagundes Telles. Quando escrevi “Pássaros sem canção”, pretendia criar um romance com tons naturalistas, porém numa linguagem mais fluida, como a dos modernistas da última geração. Já ao escrever “Curral de Pedras”, tentei seguir a linha de Lima Barreto com elementos do romance psicológico. Acho que são influências inevitáveis, mas não tendências a seguir propositadamente. 

4- Os seus dois livros tratam de temas polêmicos, por essa razão você já sofreu algum preconceito?
Não diretamente. Alguns amigos me contaram de comentários preconceituosos que alguns conhecidos fizeram. Houve também o caso de um pastor que soube do livro “Pássaros sem canção” e usou um exemplar para fazer um discurso efusivo sobre pecado, tentação e influência do demônio sobre a juventude de hoje. Conta-se que ele rasgou o livro durante o culto, aconselhando aos jovens da igreja a se manterem longes de obras como essa. 

5- Como você escolheu os nomes dos personagens e os criou? Se inspirou em alguém? 
Em “Curral de Pedras”, confesso que me inspirei em muitas pessoas da cidade em que vivo; já em “Pássaros sem canção” não. Neste, as personagens foram pensadas como representativas de determinados indivíduos. 

6- Para quem pensa em se tornar um escritor, qual sua dica?
Ler muitos romances, contos, crônicas, poesias. Somente através do contato com as obras literárias é que absorvemos as técnicas da arte de escrever. Em geral, os escritores não inventam técnicas, mas as desenvolvem a partir de outras. Também é importante ler um pouco de tudo, para não correr o risco de criar incoerências na narrativa, como, por exemplo, ambientar uma história num país estrangeiro mencionando aspectos sociais ou geográficos que não fazem parte daquele país. E, finalmente, estudar a língua materna, em suas diversas normas. A fuga da norma padrão, um desvio ortográfico, por exemplo, deve ter uma justificativa, seu propósito. Não se admitem cacografias, falta de coesão ou frases agramaticais por ignorância. 

7- Vendo os seus livros agora, publicados, você gostaria de mudar algo nas histórias? Ou quem sabe acrescentar?
Não. O que preciso fazer é uma revisão para eliminar os erros textuais numa próxima edição, pois, quando escrevemos, parece que ficamos cegos, empolgados com a elaboração. Acabamos por deixar passar erros de escrita, omissão ou repetição de palavras. Se a editora não tiver um bom revisor, imprime com todos os erros. Há muitos nos meus livros. Mas quanto ao enredo, não mudaria nada, pois eles só foram para o prelo quando mexi tudo o que gostaria de mexer. “Pássaros sem canção”, por exemplo, foi rascunhado em 1998. Daí até 2013, ano de seu lançamento, mexi no texto várias vezes. 

8- Qual a sua opinião sobre parceria com blogs literários?
Acho essas parcerias fundamentais para o escritor iniciante de hoje. Os de renome não são muito afeitos a esse tipo de parceria, pois acham que não precisam delas, e talvez realmente não precisem, mas os iniciantes têm aí uma excelente forma de divulgar sua obra em escala mundial, uma vez que a internet é mundial. 

9- Deixe um recado para quem ainda não leu o seu livro.
Meus livros são uma forma de conhecer a literatura cearense contemporânea, a realidade sertaneja e das cidades de médio porte, que sempre foram colocadas à margem na literatura nacional, além de fazer refletir sobre os problemas que afligem as pessoas hoje, sobretudo os jovens, protagonistas de meus livros. São dinâmicos e, segundo dizem, surpreendentes. Você não vai se arrepender de tirar um tempo para os ler.

Por fim, o ping-pong:
Um livro: O morro dos ventos uivantes
Um autor:  Adolfo Caminha
Um personagem:  Heathcliff (de “O morro dos ventos uivantes”)
Uma música: “Vom selben Stern”, do Ich + Ich
Uma mania: Transformar uma conversa numa aula
Um quote: “Pobre é o homem cujos prazeres dependem da permissão de um outro” (Madonna)

 Por hoje é isso, pessoal! Espero que vocês tenham gostado da entrevista o/ Quero aproveitar o post para agradecer imensamente o Jards pela parceria, adorei ter a oportunidade de conhecer os livros dele, sou muito grata por ele ter aceito participar da entrevista e também por todas as vezes que ele revisou minhas resenhas e me deu dicas. Enfim, o Jards é um dos meus melhores parceiros, é um autor muito talentoso que vale a pena ser conhecido, recomendo que vocês leiam os livros dele ;)

Beijos da Larii

Deixe um comentário:

  1. Adorei a entrevista, foi super bacana e o autor parece ser muito atencioso . Achei que suas perguntas foram bem estruturadas. O fato de o autor valorizar o nosso trabalho como blogueiras me agradou em muito, bom seria se mais deles fizessem o mesmo :)
    Desejo muito sucesso tanto a ele quanto ao seu blog, que diga-se de passagem está muito lindo :)
    Abraços

    www.dezenoveprimaveras.com.br

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    1. Oi, Carolina *-*
      Fico feliz que tenha gostado da entrevista, o Jards é muito atencioso mesmo e essa valorização que ele tem pelos blogs é algo tão bacana, né? Porque não são todos os autores que valorizam a gente :'(
      Enfim, muito obrigada pela visita s2

      Beijos :*

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  2. Essas entrevistas são ótimas para que conheçamos novos autores e elas só são possíveis devido a compreensão dosautores que são sempre muito prestativos e atenciosos.
    Sucesso ao autor e ao blog.

    cafeecomletras.blogspot.com.br

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    1. Oi, Andreza.
      Eu adoro trazer entrevistas para que os meus leitores conheçam mais os autores nacionais, a divulgação deles é importante mas é bem difícil de encontrar, né? Então sempre penso em uma forma de apresentar eles por aqui oo/

      Beijos :*

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  3. Os escritores nacionais são tão bons, é triste que a literatura não seja tão incentivada no nosso país. Adoro essas entrevistas, por permitir conhecer mais sobre os escritores que não têm tanto foco.

    http://orelhadapagina.blogspot.com.br/

    http://orelhadapagina.blogspot.com.br/

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    1. Oi, Ana *-*
      É uma pena a literatura nacional não ser incentivada aqui mesmo, tem tantos autores bons nesse nosso Brasil :c

      Beijos :*

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  4. Amei a entrevista >< gostei tanto das perguntas quanto das respostas.
    Infelizmente, as editoras brasileiras, em geral, não ajudam mesmo em divulgação.
    Você arca com os custos da publicação e ainda se vira na hora de divulgar.

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    1. Oi, Thai *-*
      Fico feliz que tenha gostado da entrevista o/ Aqui no Brasil é bem complicado publicar um livro, mas espero que isso um dia mude o/

      Beijos :*

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  5. Ótima entrevista Larissa. Gostei das respostas coerentes e pertinentes do autor! Desejo muito sucesso a ele!
    Realmente para os novos autores nacionais é um tanto difícil começar. Esperemos que as portas se abram cada vez mais para os novos, com as editoras vendo que a recepção tem sido boa pelos leitores!

    Samara - Infinitos Livros

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    1. Oi, Samy *-*
      Fico muito feliz por você ter gostado da entrevista o/ O mercado editorial nacional é bem difícil, mas acredito que uma hora vai mudar, pois ultimamente os autores nacionais estão conseguindo um destaque maior com os leitores :3

      Beijos :*

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  6. Adorei a entrevista.... Não conhecia o autor e fiquei interessada nos livros... Vou dar uma procurada pra ler....

    Beijos
    Natana
    Colecionando Livros

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    1. Oi, Natana *-*
      Os livros do autor são ótimos e ele é muito atencioso o/

      Beijos :*

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  7. Adoro esse tipo de post, conhecer um pouco o autor, isso é ótimo sabia?
    Vou procurar saber direitinho!
    Beijos
    http://cheireiumlivro.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Oi, Luana *-*
      Eu gosto de trazer entrevista por causa disso mesmo, com elas eu consigo apresentar melhor o autor para meus leitores oo/

      Beijos :*

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  8. Oii, tudo bem?
    Foi uma ótima entrevista e deu pra conhecer um pouco do autor que eu ainda não conhecia...
    Espero um dia ter a oportunidade de ler os livros dele!
    Bjs

    http://a-libri.blogspot.com.br

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    1. Oi, tudo e ai?
      Fico feliz que tenha gostado da entrevista o/ Se eu pudesse faria mais várias perguntas para o autor, assim vocês poderiam conhecer ele melhor ainda, mas o post iria ficar muito extenso :c kkkk Enfim, espero que um dia você leia os livros do Jards e que goste o/

      Beijos :*

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  9. Oi Lari, eu gostei das duas obras do autor portanto é muito bom conhecer mais sobre ele!
    Muito talentoso ele é! Adorei a entrevista e gostaria de voltar com essa coluna no blog, é sempre bom rs!
    beijoos
    http://garotaliterary.com

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  10. Oi, Lari!
    Adorei a entrevista com o autor, ele foi super bacana e atencioso. E ainda valoriza o trabalhos dos blogueiros literários, que tudo! ^^
    Espero ter a oportunidade de poder ler os livros dele algum dia.

    Beijos,
    Danne.
    transformelivrosemideias.blogspot.com.br

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  11. Oie!

    Adorei a entrevista com o autor. Super gente-fina e atencioso. Nem curto muito o gênero de suas obras, mas depois dessa entrevista fiquei tentada a ler <3

    Com carinho,
    Celly.

    http://melivrandoblog.blogspot.com.br/

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  12. Olá!
    Eu adoro entrevistas, saber sobre os escritores é ótimo.
    Não conhecia o Jards ainda e nem seus livros.
    Até mais!

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  13. Eu estava aqui me deleitando com essa conversa (entrevista) maravilhosa...

    Estou muito curiosa para ler algo do autor. Fiquei particularmente mais curiosa depois dele contar a história do pastor que rasgou o livro dele. É errado, eu sei, mas amo uma polêmica.

    Concordo quando ele diz que, no alto da nossa inspiração, parece que ficamos cegos, e os erros gramaticais se aproveitam dessa cegueira.

    Ah, eu amo quando um professor transforma uma aula numa conversa!

    Beijos,
    Karina do blog Eu e Minha Cultura.

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  14. Adoro entrevistas com escritores.
    Que história essa do pastor, hein. Uma pena que os religiosos sejam tão mentes fechadas.
    Vou ja ver as resenhas dos livros dele, quem sabe eu anoto aqui, né? Hehe
    Um beijo.

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  15. Olá, adoro entrevistas, pois podemos conhecer mais os autores, meu sonho é fazer com a Carina Rissi, já que Agatha Christie não se pode mais.
    Bem sempre é dificil e as editoras não são lá muito colaborativas para divulgação, acho legal que nós blogueiros ajudamos bastante já que os leitores procuram obras diversas, atualmente os livros nacionais estão tendo mais espaço nas estantes, a minha então passa de 15 dos presentes dos autores.
    http://k-secretmagic.blogspot.com.br/
    Xoxo

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  16. Gostei da entrevista e principalmente das respostas do autor. Sempre começo a escrever e paro, vou tentar seguir com a escrita e quem sabe um dia publicar um livro.
    Bjs, Isabella
    http://pausaparaconversa.blogspot.com.br/

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  17. Olá

    A entrevista está ótima, gosto de conhecer os autores e através das entrevistas até me sinto mais próxima deles. Espero um dia ler algum de seus livros e se for ao menos parecido com os de Ariano Suassuna, sei que vou gostar.

    Beijos

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